A creatina é
uma substância produzida pelo fígado, rins e pâncreas, a partir dos aminoácidos,
glicina, arginina e metionina. Também é encontrado em alguns alimentos, como
carnes e peixes, onde encontra-se 3g a 5g por quilo. O corpo humano é capaz de
produzir (incluindo sua dieta) 2g/dia de creatina.
Pesquisas
demonstraram que o corpo humano é capaz de armazenar mais creatina do que
consumimos em uma dieta, e se tratando da principal fonte de energia para o
músculo, fica fácil perceber a importância desta suplementação. A creatina é
capaz de prevenir a fadiga muscular e facilitar a recuperação do músculo,
decorrente de exercícios de alta intensidade e de curto período, como a
musculação.
Com o
saturamento da creatina, o músculo se torna maior e mais forte (aumentando
consideravelmente seu volume muscular). Ocorre que a creatina aumenta a
quantidade de água na célula muscular, aumentando a massa muscular magra, e a
sua definição. Ao atrair água para dentro da célula, acaba por facilitar a
síntese protéica.
Quando
armazenamos doses extras de creatina na célula, temos mais combustível
reservado, aumentando drasticamente sua energia durante exercícios físicos.
È sem dúvida o
suplemento mais utilizado por praticantes de musculação, e mais bem estudado em todo o mundo, muitas pesquisas
demonstraram sua eficácia no aumento da massa muscular, e nenhum efeito
colateral foi comprovado, mesmo na faze de saturação, onde utiliza-se 20g/dia
(4x5g) por um período de seis dias, e na faze de manutenção que utiliza-se
2g/dia por oito semanas.
A creatina deve ser consumida durante as refeições, dissolvida em
suco de fruta, de preferência em temperatura ambiente ou levemente aquecido.
Ocorre que o suco de fruta estimula a liberação de insulina, que é responsável
por levar a creatina para dentro da célula muscular, e a água morna ajuda a
dissolver a creatina.
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ARTIGO
ESCRITO POR: |
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Equipe
AnimalBombado.com - Musculação e Fisiculturismo |
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CREATINA
A polêmica está de volta
Estudos recentes reacendem a
discussão sobre a proibição da creatina no Brasil. Estudiosos provam através de
pesquisas o quanto ela pode ser benéfica desde que seja utilizada corretamente
A creatina, substância composta
por três aminoácidos (arginina, glicina e metionina), participa do sistema
energético servindo como substrato energético principalmente para atividade
física de alta intensidade e curta duração, tornando-se uma alternativa que pode
contribuir na melhora do desempenho físico, mediante o aumento da quantidade de
fosfocreatina (PCr) muscular, potencializando a capacidade de tolerância às
alterações ácido-base musculares. Além disso, proporciona aumento da massa
magra, através da retenção de água intracelular e provavelmente da síntese
protéica; aumento da ressíntese de ATP (adenosina trifosfato), em períodos de
recuperação, durante esforços intensos; e, mais recentemente, na melhora da
sensibilidade à insulina (JUHN; TARNOPOLSKY, 1998; PERSKY; BRAZEAU, 2001; VOLEK
e colaboradores, 2004; ZAJAC; WASKIEWI; PILIS, 2001).
A quantidade de creatina total (Crt)
no organismo envolve a combinação entre as formas fosforiladas e livres.
Enquanto a forma fosforilada de creatina corresponde a aproximadamente 60% das
reservas de CrT, os outros 40% estão estocados na forma de creatina livre. Além
disso, a maior reserva de CrT está armazenada no músculo esquelético (95%) e o
restante (5%) pode ser encontrado no coração, no cérebro, na retina e nos
testículos (GREENHAFF, 1997).
Na ausência da creatina exógena,
a taxa de turnover diário da creatina em creatinina é de aproximadamente 1,6%.
Em um homem de 70 kg com quantidade de CrT em torno de 120g, a taxa de turnover
diário é próximo a 2 g. Esse valor pode ser reposto por meio das fontes
endógenas e exógenas. Acredita-se que a ingestão dietética de creatina é de 1g
dia, obtida por hábitos nutricionais saudáveis, dieta balanceada e variada. Os
principais alimentos fontes são: carne bovina, suína e peixes como arenque,
salmão, atum, bacalhau e linguado.
Diversos estudos têm relatado
importantes modificações na composição corporal durante e imediatamente após
diferentes períodos de suplementação com creatina. A maioria dessas
investigações tem encontrado aumento bastante variável, de 0,5-3,0 kg, na massa
corporal, freqüentemente acompanhado pelo ganho da massa corporal magra ou massa
livre de gordura.
O possível mecanismo responsável
pelo ganho de massa corporal durante o uso de suplementação de creatina em curto
prazo (< 14 dias) envolve o aumento na retenção de água no espaço intramuscular,
produto do transporte celular de creatina com sódio (HULTMAN e colaboradores,
1996). Portanto, como a creatina é uma substância osmoticamente ativa, com
potencial para induzir aumento no influxo de água no meio extracelular para o
meio intracelular, um aporte elevado de creatina exógena pode desencadear um
processo de hipertrofia sarcoplasmática, em razão do aumento da hidratação no
compartimento intracelular (ZIEGENFUSS, LOWERY & LEMON, 1998).
O aumento da hidratação celular,
verificada nos primeiros dias de suplementação com creatina, pode favorecer
também o aumento da síntese e/ou redução da degradação protéica em um período de
tempo mais prolongado, resultando em hipertrofia miofibrilar (BEMBEN & LAMONT,
2005; KREIDER e colaboradores, 1998).
Durante o exercício físico
intenso de duração curta, o sistema ATP-CP (adenosina trifosfato e fosfocreatina)
é o principal fornecedor de energia para o trabalho muscular. Nesses esforços
intensos, a demanda de ATP nos músculos ativos, cresce acentuadamente. Desse
modo, a continuidade do esforço passa a ser extremamente dependente de reposição
rápida e contínua desse substrato energético. Nessas condições, as reservas de
CP podem ser totalmente depletadas em aproximadamente 10 segundos, uma vez que a
degradação da fosfocreatina contribui para a regeneração de ATP (BALSON,
SÖDERLUND & EKBLOM, 1994). Com base nessas evidências, acredita-se que o aumento
das reservas musculares de creatina total e CP, induzido pela suplementação de
creatina, possa favorecer a melhoria do desempenho físico em exercícios de alta
intensidade e curta duração, uma vez que o aumento da disponibilidade de CP no
músculo pode acelerar a ressíntese de ATP.
De um modo geral, as pesquisas
têm conseguido confirmar essa hipótese em indivíduos suplementados com creatina,
sobretudo em esforços intensos e repetitivos, com duração entre 2 e 30 segundos,
visto que, como apresentado anteriormente, a contribuição dos depósitos de CP
nesse tipo de atividade é elevada (HULTMAN e colaboradores, 1991).
Já que está comprovada toda a
eficiência desta substância, porque no Brasil a sua comercialização é proibida?
A justificativa da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) relata que
não há uma legislação específica proibindo o uso da creatina em alimentos para
praticantes de atividade física, existe uma legislação de alimentos para
praticantes de atividade física, a Portaria n°222/98.
A legislação brasileira é
positiva, só podendo ser registrado o que nela está previsto. Todos os produtos
que pleitearam registro usando creatina foram indeferidos por não comprovar a
segurança e a finalidade de uso para praticantes de atividade física. Relatam
ainda que em 2001 foi realizada uma consulta pública sobre creatina nesta
gerência, baseado em um alerta sanitário expedido pela agência francesa. Mas o
setor produtivo não enviou até a data acordada nenhum estudo científico que
comprovasse a segurança de uso.
Um dos possíveis efeitos adversos
mais discutidos consiste na suspeita de que a suplementação de creatina poderia
provocar estresse renal, o que causaria sérios danos na filtração glomerular
renal. Contudo, no último consenso publicado em 2007 pela "Internacional Society
of Sports Nutrition" a suplementação de creatina é considerada segura em
quantidades inferiores a 25 g/ dia, em indivíduos saudáveis. O consenso descreve
que nenhum dos estudos que investigaram o efeito agudo crônico da suplementação
de creatina em indivíduos saudáveis identificou problemas nas funções renais
estudadas, ou seja, na excreção de creatinina e uréia. Portanto, as taxas de
filtração glomerular e reabsorção tubular, aparentemente, se mantêm inalteradas
com a suplementação de creatina (BUFORD e colaboradores, 2007). Porém,
observou-se que a excreção de creatinina urinária teve aumento de
aproximadamente 90%, fato comum já que a quantidade suplementada é superior a
síntese endógena e ao consumido alimentar. Além disso, não há estudos
demonstrando modificações nos níveis de enzimas hepáticas plasmáticas e
alterações na pressão arterial tanto sistólica quanto diastólica (MIHIC e
colaboradores, 2000; POORTMANS e colaboradores, 1997; ROBINSON e colaboradores,
2000).
Vale ressaltar que a creatina não
é banida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) pois trata-se de uma
substância presente nos alimentos e não validaria os testes para comprovação de
possível doping. O consenso relata que não há distinção creatina com o
carboidrato, por exemplo, para a melhora do desempenho físico. Da mesma forma
que altas quantidades de carboidratos são utilizados para aumentar os estoques
de glicogênio muscular e assim melhorar o desempenho, o uso de suplementos com
creatina aumentaria as reservas de creatina e fosfocreatina musculares. Outro
ponto argumentado a não proibição é o uso da creatina na prática clínica, por
exemplo, no tratamento de lesões músculo-esqueléticas, distrofias musculares, em
que a substância propicia efeitos neuroprotetores, entre outros benefícios (BUFORD
e colaboradores, 2007).
Diante de tais informações, cabe
aos órgãos responsáveis do nosso país revisar a decisão tomada e orientar a
população sobre o uso adequado.
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ARTIGO
ESCRITO POR: |
|
Michele Carolina da
Costa Trindade - Nutricionista e Especialista em
Treinamento Desportivo - Mestre e Doutoranda em
Ciência dos Alimentos |
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Revista
Muscle In Form N° 54 |
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revista. |
CREATINA
Suplemento proibido no Brasil
pela Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária), a creatina tem sido alvo
de inúmeros estudos. Especulações dão conta de que tal suplemento poderia causar
danos à saúde renal, o que também não ficou comprovado na maioria dos estudos
feitos em rins sadios. Segundo Bruno Gualano, da USP, que faz pesquisas com
orientação do professor Antonio Herbert Lancha Júnior, atualmente, estuda-se os
efeitos terapêuticos da suplementação de creatina, ou seja, os possíveis
benefícios desse suplemento no tratamento de algumas doenças. "Essa também é
nossa linha de pesquisa: investigamos o papel da creatina em doenças como
diabetes do tipo 2 e miosites. Além disso, a comunidade científica também tem
interesse em saber quais os mecanismos fisiológicos e biomoleculares que
explicam os benefícios da creatina no rendimento esportivo e nas doenças. Por
fim, uma questão permanece em aberto: os possíveis efeitos deletérios da
creatina, outra linha que também trabalhamos, especificamente em relação à
função renal. Até o momento, não encontramos nenhuma evidência que a creatina
prejudique a função renal em homens saudáveis e fisicamente ativos, mesmo em
grandes quantidades. Já em ratos com doença renal pré-existente, parece que a
suplementação provoca progressão na doença renal", diz Gualano. De acordo com
ele em dois ou três anos, os principais resultados estarão finalizados. Pesquisa
publicada recentemente (Gualano, 2006) com 22 pessoas demonstrou que o uso
controlado e orientado do suplemento, juntamente com exercícios aeróbicos,
melhorou a tolerância à lactose. A dose de sobrecarga inicial é questionável,
mas há um consenso quanto à dosagem de 3g/dia e seu consumo com bebidas contendo
carboidratos.
CREATINA
A quantidade de CP (degradação de
fosfocreatina) disponível é provavelmente um dos fatores mais importantes para a
fadiga durante o exercício de alta intensidade e curta duração. Além disso,
estudos recentes demonstraram que o grau de ressíntese de CP após uma repetição
de exercício máximo está positivamente relacionada com a performance da próxima
repetição.
O mecanismo pelo qual a
suplementação de creatina promove ganhos na performance não está claro.
Aparentemente esse efeito é devido à influência da suplementação sob a
disponibilidade de CP no pré-exercício.
Apesar da creatina ser um
constituinte natural dos alimentos, precisa ser consumida por meio de
suplementos nutricionais quando a intenção é promover a sobrecarga muscular. Tal
fato deve-se à impossibilidade de obter as quantidades necessárias por meio do
consumo de alimentos.
A suplementação conjunta de
creatina e carboidratos promove o aumento na quantidade de CP intramuscular
quando comparada à suplementação isolada de creatina.
Diversos estudos demonstraram que
o efeito ergogênico da suplementação de creatina com relação à resistência e
potência anaeróbia, a efetividade em si, depende do tipo de exercício analisado.
Outras possibilidades promissoras
quanto ao efeito da creatina referem-se ao seu efeito potencial como promotora
da síntese protéica e como promotora de efeitos benéficos à saúde. Apoiando a
idéia de síntese protéica, existem relatos que a suplementação de creatina
aumenta a massa muscular corporal total e a livre de gordura.
Com relação a um gama de
possíveis efeitos colaterais atribuídos ao consumo de creatina por diversos
veículos de informação, é importante ressaltar de que ainda não existem
evidências científicas comprobatórias sobre a questão.